Publicações · Comércio Exterior
Você escolheu o Comex ou o Comex te escolheu?

Essa pergunta esteve presente na minha realidade durante todos os meus anos de carreira. E mesmo hoje, 23 anos depois da minha primeira experiência na área, quando eu ainda nem sabia o que era container, faz sentido. Na verdade, acho que hoje faz ainda mais.
O Comércio Exterior no Brasil é relativamente recente, se você lembrar da abertura comercial promovida pelo Governo Collor. Mas mesmo algum tempo depois, quando comecei, não era uma carreira que você escolhia fazer. Nem mesmo como nicho de Administração, que tem tantas vertentes, como a gente bem sabe. O Comex era a área que ninguém dava muita importância, aquela para a qual a empresa escolhia alguém espertinho que estava sem o mesmo tanto de serviço dos demais para se virar e interagir com o despachante, desbravando as águas profundas e misteriosas da internacionalização. Os mais corajosos seguiam na área. Aqueles que gostaram da dinâmica também. Me encaixo no segundo grupo.
Durante os anos que levei para pavimentar minha carreira, entendi que o Comex é muito mais estratégico e relevante do que a maioria das empresas pensava que era. Você literalmente pode deslanchar ou comprometer um negócio se fizer uma operação mal feita. E muito do meu esforço como profissional foi não somente aprender e desempenhar bem o meu papel, como também tentar dar visibilidade maior a uma área tão injustiçada, que durante muito tempo ficou escondida sob a sombra da administração e escanteada como algo não tão glamuroso quanto Compras, ou imprescindível como Vendas. E acho que uma das minhas maiores frustrações foi ver que não consegui mudar essa percepção, mesmo depois de tanto tempo. Ainda hoje o Comex não tem a devida importância. E o pior: ao mesmo tempo que ele não é tido como relevante em várias grandes empresas, é considerado complexo ou inacessível demais para pequenos e médios. Contraditório, não?
Essa chama em mim diminuiu, mas nunca se apagou totalmente e, recentemente, me levou a uma reflexão sobre meu futuro como profissional na área. O que eu ainda queria, depois de alcançar a gerência, o topo da área na grande maioria das empresas? Cheguei à conclusão que não queria mais do mesmo. Não queria continuar enxugando gelo e dando murro em ponta de faca. E foi assim, no meio dessa reflexão toda que a Terribile Consultoria surgiu. No começo, apenas como uma ideia para o futuro, algo etéreo, uma possibilidade. Um plano B que acabou se tornando realidade depois de um empurrãozinho que o mercado convencional de trabalho me deu.
E hoje estou aqui, me sentindo a mesma "marinheira" de 23 anos atrás, desbravando um mar diferente agora, o do empreendedorismo. Com mais experiência em navegação e um barco maior, mais cascudo, mas com o mesmo brilho nos olhos daquela menina de 2003 que não sabia como tirar uma carga de canal vermelho do porto e entrava em pânico com qualquer coisa que fugisse do normal. E com a nobre missão de mostrar que Comex não é um bicho de sete cabeças. Mas também não é algo que deva ser desprezado: é uma engrenagem forte da empresa, que impulsiona o motor da embarcação ou a freia, dependendo de como é conduzido.
Bem-vinda, Terribile Consultoria! Bem-vinda, Thais Consultora!
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